
Dito isso, vamos ao que interessa: Inglourious Basterds é, até agora, o filme mais ousado do diretor. Porque, ao contrário de Kill Bill, que lida com uma realidade totalmente fantasiosa, aqui ele tem coragem de falar de fatos históricos. E fazer com eles o que bem entende. A primeira cena engana. Primorosamente executada, ficamos com a impressão de que Tarantino “amadureceu”, e fez uma transição para um cinema mais sério e comprometido. Isso é imediatamente quebrado com a introdução de um Adolf Hitler caricatural, de vaudeville, logo na cena seguinte. Esse Hitler parece dizer: “Relaxem, você estão vendo um filme de Tarantino.” E a partir daí, segue-se uma infinidade de momentos feitos exclusivamente para o prazer de quem adora cinema e ainda gosta de ser surpreendido por ele. A tese de Tarantino, presente em todos os seus filmes, e aqui levada a extremos radicais é: “Sou um cineasta. O meu mundo é o do cinema. E por isso, eu posso fazer o que quiser.”
As críticas a Inglourios Basterds e seu desrespeito a fatos históricos só pode ter sido feita por pessoas que, apesar de passarem a vida vendo filmes e escrevendo sobre eles, ainda não entenderam, de fato, a essência do cinema. Enquanto rimos e vibramos com Tarantino e seu mundo absurdo e genial, estamos rindo de quem leva a vida e a arte a sério demais.