sexta-feira, 26 de junho de 2009

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Michael Bay e o cinema dos sentidos.


Esse cara aí de cima é considerado por boa parte da crítica como um dos piores diretores do cinema (pelo menos entre o time A de Hollywood, de grandes orçamentos e bilheterias). Antes disso, esse mesmo cara foi considerado um dos melhores diretores de filmes publicitários do mundo. Será possível que ele tenha perdido tanto a mão ao fazer essa transição? A diferença é que na publicidade, os filmes são feitos para vender produtos. No cinema, o filme é o produto. E quem está acostumado a um cinema cerebral, que faça pensar e refletir, a sensação de vazio ao ver um filme de Michael Bay é quase inevitável. Por que quase? Porque dá sim para apreciar o cinema desse diretor sob uma perspectiva artística. Em primeiro lugar, Michael Bay é um autor. Ele desenvolveu um estilo próprio de contar histórias, apoiado principalmente pela edição, trilha sonora e fotografia. Bay utiliza esses elementos com a intenção de provocar um assalto aos sentidos. A emoção, em seus filmes, é provocada pela visão e audição. Não há aquele processamento no cérebro que as grandes obras provocam: o de fazer a gente se emocionar pela identificação e pela inteligência do que se está vendo. Mas o que eu coloco aqui é: isso é necessariamente ruim? Por que as emoções básicas e simplórias têm que ser rejeitadas tão veementemente? Provocar thrills através da pura técnica é crime punível com a pena de morte? Não. Porque cinema também é isso. Por exemplo: considero Casablanca o filme mais perfeito já realizado, por sua consistência dramática, suas sutilezas, atuações e roteiro absolutamente impecável. É cinema industrial feito por verdadeiros artistas. Mas não é isso que me vai me levar a rejeitar o extremo oposto. Quem ama cinema, obrigatoriamente, tem que ter uma visão ampla da arte, e não se restringir à admiração de apenas um tipo de caminho. O cinema de Michael Bay é radicalmente comercial. Não há objetivo ali a não ser a criação de um evento que leve milhões ao cinema e encha os bolsos dos produtores. Mas porque esses filmes alcançam esse objetivo? Porque por trás deles existe um mestre na técnica de manipular as emoções do público. Principalmente o público mais juvenil, que ainda não desenvolveu emoções mais complexas. Ou seja, existe talento aqui. Pode-se questionar a ética desse talento, mas nunca a força da sua estética. Os piores filmes de Michael Bay são justamente aqueles onde existiu a pretensão de se fazer algo além da sua capacidade: Pearl Harbor, uma derivação inferior de Titanic e outros épicos românticos, que tentou remeter à Era de Ouro de Hollywood sem ter no entanto, a sensibilidade dos filmes desse período. E A Ilha, onde a intenção de se fazer uma distopia com toques filosóficos naufraga diante da falta de uma bagagem cultural e intelectual adequada. 

Prontos para salvar o mundo e encher os bolsos de grana.

Já os melhores filmes do diretor são, não coincidentemente, os que mais faturaram: Armageddon e Transformers. E isso é óbvio, na medida em que a ética e a estética de seu cinema estão voltados para as bilheterias. O que difama Michael Bay é um erro de interpretação dos críticos, que confundem intenções e objetivos com falta de talento. E uma das coisas que fazem parte do gostar de cinema é ver o cinema com uma cabeça mais aberta. Sexta que vem estréia Transformers 2. E eu estarei entre os primeiros na fila.

A melhor criação de Michael Bay.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

terça-feira, 26 de maio de 2009

Há dez anos.

1999 marcou o início de uma nova (e boa) fase para Hollywood, que dura até hoje. Filmes mais ousados, fortes e criativos (até no que se refere a blockbusters), em uma espécie de revival da revolução que o cinema americano conheceu nos anos 70. Pra marcar esse ano histórico, e inspirado por uma idéia do Roberto Sadovski, selecionei os clássicos de 99 em ordem crescente de importância. Opinião pessoal, claro, como se eu precisasse dizer. Veja a lista e reveja os filmes. Eles merecem.


12. Star Wars: Episódio I – A Ameaça Fantasma
de George Lucas

Depois de 16 anos de espera, a trilha de John Williams, acompanhada da frase “A long time ago...”, voltou às telas em uma aventura com falhas (leia-se Jar Jar Binks), mas nem por isso desmerecedora do titulo Star Wars.



11. O Gigante de Ferro
de Brad Bird

A animação que presta tributo aos filmes de ficção científica dos anos 50 fracassou nas bilheterias, mas logo virou cult. É desenho mesmo, sem CGI, e o robô gigante emociona até com a voz mecânica do Vin Diesel.



10. Quero Ser John Malkovich
de Spike Jonze

Crise de identidade nas mãos do roteirista Charlie Kaufman só podia dar nisso: um filme esquizofrênico, esquisito, engraçado e ao mesmo tempo seriíssimo. Uma brincadeira perturbadora que marcou época. Malkovich!



9. História Real
de David Lynch

Idoso decide visitar o irmão à beira da morte dirigindo um...cortador de grama. Aqui o diretor abandona as esquisitices habituais com uma história real, mas parece dizer que os humanos são estranhos mesmo sob uma ótica realista.



8. O Informante
de Michael Mann

Al Pacino e Russel Crowe dão um show de atuações na história do homem que pretendia denunciar a indústria do cigarro no programa de maior audiência da TV americana. Uma aula de cinema, jornalismo e coragem.



7. Toy Story 2
de John Lasseter

Woody e Buzz Lightyear voltam em uma aventura maior, melhor e mais emocionante que a original. A consolidação definitiva da Pixar como uma fábrica de filmes que provam que tecnologia e arte podem andar juntas.



6. Magnólia
de Paul Thomas Anderson

Um super elenco na história que trata da relação entre pais e filhos, além de vários outros temas, alguns explícitos, outros restritos a interpretações. Recorrer ao surrealismo é imperativo para aliviar a deprê.



5. O Sexto Sentido
de M. Night Shyamalan

O único filme que presta na carreira do diretor, que depois passou a se repetir e auto-homenagear. Parábola sobre a dor de ser diferente, o filme tem um roteiro impressionante, onde o final está escrito desde o começo.



4. À Espera de um Milagre
de Frank Darabont

Darabont é o diretor que mais entendeu a qualidade e o sentido da obra de Stephen King, um dos escritores mais subestimados da história. Assim como Um Sonho de Liberdade, é um filme que só cresce com o tempo.



3. Beleza Americana
de Sam Mendes

A hipocrisia dos subúrbios americanos é desmascarada pela câmera invasiva do diretor. E os espectadores viram voyeurs. É tudo muito divertido até o momento em que percebemos que estávamos olhando para nós mesmos.



2. Matrix
de Andy e Larry Wachowski

A ficção científica que, em meia dúzia de cenas memoráveis, marcou a história do cinema. Matrix vale muito mais pelas imagens criativas e inesquecíveis do que pelo roteiro recauchutado. Mas cinema não é imagem, por acaso?



1. Clube da Luta
de David Fincher

Numa lista dos melhores filmes de 1999, a primeira regra é falar do Clube da Luta. Brad Pitt e Edward Norton representam os personagens mais importantes de todos os tempos: o id e o superego. Quem ganha essa briga?

La Jetée.


O curta do Chris Marker que inspirou Os 12 Macacos do Terry Gilliam.

segunda-feira, 18 de maio de 2009