sexta-feira, 8 de maio de 2009
Redemption.
Joe Strummer & the Mescaleros tocando Redemption Song, numa homenagem ao inacreditavelmente falecido líder do Clash. De chorar.
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Valsa com Bashir.

Ari Folman é um ex-soldado israelense da Guerra do Líbano. E também um cineasta. Traumatizado pela guerra, em especial por um massacre de civis palestinos cometidos pelos aliados da Falange Cristã, Folman tinha bloqueado as lembranças do conflito. Em busca da verdade, ele vai atrás de ex-combatentes para tentar montar o quebra-cabeça e ficar em paz consigo mesmo. Para registrar essa busca, ele decide fazer um filme. O resultado é Valsa com Bashir. Mas o que se vê na tela não é um simples documentário, e sim um dos melhores filmes de animação já feitos. Utilizando um recurso cujo resultado visual é semelhante ao da rotoscopia, Folman utiliza tudo que a linguagem pode oferecer, e traz tanto imagens realistas quanto oníricas para ilustrar as narrativas dos seus entrevistados. Incrivelmente bonito, o filme não deixa de fora as referências pop, com músicas nada óbvias dos anos 80, de bandas como PIL e OMD. No final, o público entende que a ideia de fazer um filme de animação não era apenas pela exploração das suas possibilidades, mas principalmente para aumentar o impacto da última cena. O silêncio na sala era ensurdecedor.
Uma das melhores cenas do filme:
segunda-feira, 4 de maio de 2009
terça-feira, 28 de abril de 2009
Che.

Quando Steven Soderbergh não está brincando com homens e segredos, seu cinema é sério. E não só sério. É um cinema frio, cerebral. Era isso, portanto, o que eu deveria esperar do filme Che. Mas talvez pelo tema ou pelo trailer, eu estivesse imaginando um filme vibrante e emotivo. Por isso, a decepção. Mas depois de alguns dias, passei a considerar a escolha do diretor em criar uma obra que pretende analisar como se constrói uma revolução. E vi que, mesmo que o filme não seja satisfatório, a tentativa é válida. Os meandros, as regras e os dogmas em cima dos quais os revolucionários agem estão todos lá, nas cenas que acompanham a caminhada dos guerrilheiros até Havana. A defesa teórica da revolução através do discurso e das entrevistas de Che em Nova York, também estão presentes. Mas é um filme indiscutivelmente chato, sem crescimento, sem clímax e sem envolvimento. E isso não acontece por falta de habilidade. Ao contrário do Frost/Nixon do Ron Howard, feito com a inteligência de um diretor que deseja conquistar o público e sabe fazer isso como poucos, o Che de Soderbergh simplesmente não quer ser mais do que uma análise científica. O mérito é não cair na tentação de fazer uma obra que fosse satisfazer os ingênuos e sonhadores fãs incondicionais de Che Guevara. O filme é justamente simpático ao personagem, mas sem cair em maniqueísmos. E a opção pela ausência de emoção possibilita também um dos mais brilhantes e inteligentes finais dos últimos tempos, onde fica claro, através de uma cena aparentemente simples e divertida, que a utopia é inalcançável.
O Festival de Cannes vem aí.
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