quarta-feira, 25 de março de 2009

Barcelona 1908.


Um dos filmes mais emocionantes que eu já vi é esse plano-sequência captado de um bondinho em movimento, que mostra a vida acontecendo enquanto a gente sabe que todas aquelas pessoas já se foram. Faz pensar sobre como tudo é rápido, e como vale a pena.

Have Love Will Travel.


Vídeo feito recentemente para a clássica gravação da seminal banda Sonics. Nada pode ser melhor.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Watchmen, o filme.


Esperei de propósito alguns dias para escrever sobre Watchmen, o filme. Isso porque ao mesmo tempo em que saí do cinema satisfeito com o que tinha visto, alguma coisa me incomodava, e eu precisei de um tempo pra entender o que era. Watchmen começa de forma brilhante, com duas sequências espetaculares: o assassinato do Comediante (unforgettable), e os créditos de abertura que contam o que aconteceu desde o surgimento do primeiro herói mascarado até a decadência completa dos vigilantes, com Bob Dylan de fundo e um afiadíssimo senso de humor. Ali Zack Snyder já tinha me ganho e o que viesse adiante era lucro. Mas depois desse início empolgante, que me fez acreditar que eu veria algo diferente da HQ, vem uma adaptação quase quadro-a-quadro da obra original. E rever em celulóide essa história que eu conhecia quase de cor não me acrescentou muita coisa como fã de cinema. Por isso, talvez, Watchmen não tenha me empolgado como V de Vingança, um filme que realmente transpõe uma obra de Alan Moore de um meio a outro, e por incrível que pareça, com vantagem sobre o original. Mas é inegável que Zack Snyder entende a graphic novel, e carrega o filme com ironia e com a maior qualidade da HQ: a ideia de vigilantes mascarados vivendo em um mundo real, e de como eles não se adaptariam a esse mundo, tornando-se outsiders e beirando o ridículo. Por falar em ridículo, o filme contém uma das melhores (senão a melhor) cena de sexo do cinema: Coruja e Espectral, desajeitados, expostos e humanos, ao som da maravilhosa Hallelujah, do Leonard Cohen. O único ponto realmente fraco é Ozymandias, personagem que nem de longe surpreende como no livro, aqui numa caracterização fraca, afetada e superficial. Fora isso, temos um filme digno, de um diretor talentoso e inteligente. Mas se Watchmen é considerado o Cidadão Kane dos quadrinhos, o Cidadão Kane do cinema ainda é o filme do Orson Welles mesmo.

quinta-feira, 19 de março de 2009

segunda-feira, 16 de março de 2009

Clássicos Revisitados 1 - Cidade dos Sonhos.


A primeira vez que eu vi Mulholland Drive foi, como não poderia deixar de ser, no cinema. E saí meio que não sabendo mais onde é que eu estava. Eu tinha ficado impressionando com a narrativa e a força das imagens, mas a trama me deixou completamente perdido. Qual era o sentido de tudo aquilo? Como todo filme que requer interpretações, Mulholland Drive merecia ser visto de novo. E de novo. E de novo. Até que um dia, como que por mágica, eu assisti ao filme e de repente ele estava claro como uma história infantil. E ontem eu vi mais uma vez, quase sem conseguir entender como é que um dia eu pude ter alguma dúvida sobre o que eu estava vendo.


Mulholland Drive conta a história de Betty (Naomi Watts), aspirante a estrela de cinema que vem a Los Angeles em busca de um lugar ao sol. Linda, jovem e talentosa, Betty envolve-se em uma misteriosa trama com uma mulher que perdeu a memória (Laura Harring). Ao ajudar Rita (nome escolhido ao acaso, já que ela não lembra do verdadeiro), elas acabam por se apaixonar, e uma das relações de amor mais intensas do cinema tem início. O que se vê é um film-noir típico, com todo o artificialismo que só Hollywood é capaz de criar. A trama complexa, o emaranhado de situações e personagens, as cores, luzes, figurinos, a maquiagem, o romantismo, os cenários, a beleza estonteante. Tudo nos leva a crer que estamos assistindo a um filme no estilo clássico, onde a aparente confusão vai nos levar a algum lugar, e todo o mistério sobre Rita vai ser revelado no final. Mas então, Betty e Rita vão ao Clube Silencio, onde nada é real. E a ilusão cai por terra.


Agora conhecemos Diane (Naomi Watts), aspirante a estrela de cinema que vem a Los Angeles em busca de um lugar ao sol (que ela não encontra). Nesse ponto da história, ela está sentindo falta da mulher por quem era apaixonada/obcecada, Camilla (Laura Herring), uma atriz de sucesso. Flashbacks que mostram momentos da relação entre as duas mulheres, onde Camilla humilha uma cada vez mais desesperada Diane, têm início. E vemos uma história de desilusão amorosa contada sem requinte, sem glamour, num tom realista e desesperador. Não é mais Hollywood. É a realidade. Diane, não suportando mais a rejeição, encomenda o assassinato de Camilla e depois, carregada de culpa, enlouquece e se suicida.

E assim termina Mulholland Drive.

Mas o que há de genial no filme é que quando os créditos começam a aparecer, somos obrigados a pensar no que acabamos de ver. Qual a relação entre as duas histórias? Por que a segunda parte é carregada de elementos que já apareciam na primeira metade, mas mostrados de forma diferente? Os sonhos não são nada mais do que a mistura de coisas com as quais temos contato durante o dia ou que estão guardadas em nosso subconsciente, com os nossos desejos, medos e anseios. Portanto, a primeira parte de Mulholland Drive é um sonho de Diane. Ou, mais precisamente, uma especulação sobre como seria um sonho de Diane. Aqui, ela se chama Betty, uma nova mulher, uma nova chance. Aqui, a sua amante é dependente dela, ao contrário do que acontece na vida real. E o mais importante: seu sonho é um filme, com toda a idealização da qual só Hollywood é capaz.

A única dúvida que ainda resta quando assisto a Mulholland Drive é: David Lynch faz uma das mais belas homenagens ao cinema ou uma crítica ferrenha à sordidez de Hollywood, onde a beleza só existe na tela (e nos sonhos)?


Com esse post, eu começo a série Clássicos Revisitados. A proposta é escrever textos relativamente curtos sobre alguns dos grandes filmes da história. A frequência vai ser totalmente indeterminada, e baseada apenas na minha vontade de escrever sobre algum filme que eu tenha revisto.

sexta-feira, 13 de março de 2009

De quem são essas mãos?


Quem disse Bob Dylan, acertou. Só pelas mãos já dá pra ver que é gênio.

Ah, como eu gosto de ser aleatório.