quinta-feira, 10 de abril de 2008

Sério.


Dessa vez, a pena superou a flauta.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Shine a Light ou Scorsese e os bons velhinhos.


Martin Scorsese não cansa de acertar. Dessa vez, ele fez o filme definitivo sobre a velhice. Esqueça Conduzindo Miss Daisy. O filme que até hoje melhor falou sobre a passagem dos anos é Shine a Light, o novo e sensacional documentário sobre os Rolling Stones. É incrível como um cineasta talentoso consegue dar sentido profundo a um filme que, à primeira vista, não passa de um simples registro de um show de rock. Ao inserir pequenos trechos de entrevistas dadas pelos Stones ao longo dos anos, e contrastando estas cenas com a performance recente, as rugas ficam ainda mais evidentes. Assim como fica evidente a recusa dos quatro músicos em envelhecer. Scorsese ama os Stones, e nesse filme ele fez para a banda o que um fã deve fazer: provar que eles não estão nessa só pela grana. E depois de ver Shine a Light, fica difícil discordar. A luz que Scorsese lança sobre os Stones é reveladora. Assim, até o título do filme passa a fazer muito mais sentido, deixando de ser apenas o nome de uma música. Shine a Light mostra que os Stones são apenas quatro jovens que só querem se divertir, e que por acaso estão na faixa dos 60. E como se não bastasse, o show é impecável.
Obs.: por incrível que pareça, esse é um dos poucos filmes do Scorsese sem Gimme Shelter.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Heston in peace.


Se foi o último republicano-racista-reaça-canastra-fdp de Hollywood. E vai fazer muita falta. Sério. Acima de tudo, Charlton Heston era um ingênuo. O cara participou de vários filmes com conteúdo progressista, sem nem se dar conta. Ao mesmo tempo em que, como presidente do National Rifle Association, entrava a fundo na defesa do direito do cidadão de portar armas (ou seja, o direito do cidadão andar por aí com um instrumento que tem a única função de matar outro cidadão), Chuck estrelava filmes anti-belicistas como Ben-Hur e Planeta dos Macacos. Fez também um revolucionário espanhol símbolo da esquerda, o El Cid. E mostrou até onde vai a sanha capitalista ao gritar aos quatro ventos a clássica frase "Soylent Green is people!" no final do nada otimista No Mundo de 2020. Serviu até pra dar sustentação para as teses de Michael Moore em Bowling for Columbine, onde aparece velho, esclerosado e carcomido, numa cena humilhante que me ajuda a ficar com o pé atrás em relação ao documentarista gordinho-simpático. Heston declarava até que não havia conteúdo homossexual em Ben-Hur, onde é óbvio que o que dá início a toda a história de vingança que sustenta as quatro horas de filme é o fato do herói ter deixado pra trás as brincadeirinhas de infância pra começar a se interessar pelo sexo oposto. Messala, o amiguinho romano que não mudou de time quando cresceu, não aceita muito a idéia e passa a perseguir o amiguinho judeu. Por essa ingenuidade, pela canastrice, e por um certo talento para criar personagens mais cínicos a partir dos anos 60, Heston vai fazer falta. Ele foi o reacionário que fez alguns dos filmes mais progressistas da história de Hollywood.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Laerte gênio.

Who watches the Peanuts?


Não sei se essa ilustra é mesmo do Charles Schulz. Mas colocar os personagens das clássicas tirinhas como se eles fossem os Watchmen é, de qualquer jeito, uma baita homenagem pra obra-prima do Alan Moore.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Rosebud.


Ontem eu tava revendo Cidadão Kane que, ao contrário do que muita gente diz, não é o maior filme de todos os tempos. É só um dos maiores.
E comecei a pensar qual seria o meu Rosebud, ou as minhas últimas palavras no leito de morte. Me vieram algumas possibilidades:
- Fulano, na real tu é filho do encanador.
- Ah, que saudades daquele carnaval em Cidreira.
- Falou. Tô indo ver um show do Bob Marley.
- Foi ela que me envenenou.
- Terminei aqui.
- Até mais, e obrigado pelos peixes.
- Cof! Cof!
- Me perdoa, Gabiru.
- Perdi.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Jesus salva.



As tirinhas com o personagem Jesus (sim, aquele mesmo da Bíblia) estão entre as coisas mais divertidas que eu li esse ano. É uma interpretação muito particular da vida do Messias, que vai do nascimento, passa pela adolescência, atinge a sua fase mais fodona, chega até a crucificação e mostra que a ressurreição não foi lá tão bonita quanto se imagina. O autor Rafael Koff consegue associar a vida de Jesus com o nosso cotidiano e o cinismo dos dias atuais, gerando piadas engraçadíssimas e totalmente hereges, sem cair na solução fácil de chocar por chocar. A inteligência dá o tom. E não existe teste maior para um padre do que ler as 40 tirinhas que estão no livro sem esboçar um sorriso. Pra ver mais Jesus e outros trabalhos do cara, clique aqui. Aproveite e encomende o livro. E depois, queime no inferno.